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  • Foto do escritorLeonardo Siqueira

A única coisa que eu quero, é fazer tudo!


25 anos. Ainda não entra na minha cabeça que sou um adulto. Mesmo morando na maior parte do tempo há 200km da casa dos meus pais, pagando todas as minhas contas e tendo uma empresa, sócia e funcionários que dependes de mim, ainda me sinto uma criança, as vezes. Você já teve essa sensação? Ou melhor, quando você sentiu que cresceu? Pagar as próprias contas ou ter uma responsabilidade que vai além de brincar e tirar boas notas deveria ser um indicativo disso, não?


Há quase 3 meses venho me sentindo estranho. Culpei a nova dosagem dos antidepressivos e segui a vida. Dia ou outro me pegava indisposto, mesmo fazendo tudo o que se diz por aí que ajuda a manter a energia lá em cima e uma boa vitalidade: alimentação balanceada e regulada, exercícios diários e frequentes, meditação, yoga, entre demais distrações mais motoras e artísticas, como colorir e bordar, mas nada parecia funcionar e eu não conseguia entender o que estava sentindo e de onde vinha aquele sentimento. Mesmo eu, com mais de 10 anos de terapia e uma auto percepção excelente - palavras da minha psicóloga - não conseguia sintetizar nada que havia se instalado em mim.


Por dias, pensei estar num processo depressivo novamente.


A terapia em dia mesclada à medicação segura e regulada foi me trazendo aos poucos alguma racionalidade que me permitia nomear meus sentimentos e relacionar com coisas que já senti em outras épocas, o que me possibilitou a ser apresentado ao termo Burnout.


Eu já tinha ouvido falar, mas não sabia exatamente o que era. Sabe quando uma palavra bonita, ou até mesmo difícil surge para definir algo e logo tratamos como uma "frescura"?Um exemplo é quando uma pessoa 50+ fala sobre não existência do bullying na sua vida escolar. O bullying sempre existiu, só não havia esse nome, que se popularizou com o tempo, e por um longo período não era tratado como um problema. Sigo essa lógica com o Burnout.


"Burnout é um termo novo e se refere a uma síndrome de esgotamento profissional, sendo um distúrbio emocional com sintomas de exaustão extrema, estresse e esgotamento físico resultante de situações de trabalho desgastante, que demandam muita competitividade ou responsabilidade, além do principal, o excesso de trabalho." - foi exatamente o que li quando pesquisei rápido no Google, e que naquele momento me pareceu só mais coisa inventada para justificar problemas pessoais da atualidade.



Eu estava sem vontade de fazer tudo. Minha mente só funcionava para o trabalho. As primeiras horas do dia eu fluía muito bem e minha energia estava lá em cima. Duas horas depois, me encontrava completamente sem energia e não conseguia formular pequenas frases. Não conseguia cobrar clientes, emitir notas fiscais, que basicamente é apertar algumas teclas do teclado do computador, parecia muito mais do que isso e era difícil. As notificações no celular, que se referiam a trabalho, me geravam muita angústia. Por mais contraditório que pareça, quando eu deitava e parava para "me dar um tempo", eu me sentia extremamente mal por "estar perdendo tempo de trabalho". Ainda, quando terminava minhas obrigações e podia descansar ou tomar conta de coisas de casa, ver uma série, ou qualquer outra coisa do cotidiano que não se referia ao trabalho, eu sentia uma ansiedade e necessidade extrema juntas a vontade, que até então parecia genuína, de trabalhar.


Demorei perceber que eram gatilhos e armadilhas da minha mente, e pra isso precisei recuar, descansar, e me organizar ainda melhor meus serviços, minhas cargas, além de colocar algumas coisas como prioridade. A ânsia do futuro e uma culpa horrível de não me sentir suficiente em nada que faço; de ver todos que me inspiro estando bem sucedidos, crescendo seus negócios e tendo reconhecimento por fazer o que fazem e ser quem são, foi um dos gatilhos para eu perceber que eu estava indo além do que eu conseguia suportar com a minha mente. Ver as pessoas amplificar suas vozes e trabalhos naquele momento deixou de ser uma alegria para mim para ser uma cobrança e medida de comparação.


O maior gatilho disso tudo, foi que entre minhas questões, exaustões e questionamentos, tive uma reunião com uma pessoa grande e muito importante de São Paulo, que estava confiando em minhas opiniões baseadas em estudos e conhecimento do mercado que trabalho, o seu negócio futuro. Por muitos dias me questionei sobre o porquê de ser eu ali com ele nessa posição de importância para o rumo do futuro da sua vida, enquanto me sentia fracassado em tudo que me comprometi a fazer, desde ser o profissional que avalia e dá o ponto de vista em negócios dos outros e inventa ações e estratégias de marketing e posicionamento de imagem, até mesmo o meu comprometimento com o meu canal no YouTube e a minha loja em sociedade com minha irmã.


Foram dias pesados, de lutas intentas, medos, incertezas e uma mente que me levava a cogitar e pesquisar várias outras profissões para seguir dali em diante, desde maquiador à minha formação em agroindústria. Com o passar dos dias percebi que isso não passava de válvulas de escape para não pensar no que doida. E afinal, o que doía?


Um dia antes do meu aniversário, dia 21 de julho, estava manobrando o carro e ouvindo a RadioMix, quando começou uma propaganda sobre o já citado aqui, Burnout. E eu prestei atenção em cada palavra e passei a rever meus sentimentos, em milésimos de segundos enquanto curiosamente me identificava com absolutamente tudo o que o radialista dizia ser os "efeitos" dessa crise. Cansaço excessivo, físico e mental. Dor de cabeça frequente. Alterações no apetite. Insônia ou excesso de sono. Dificuldades de concentração. Perda de memória. Sentimentos de fracasso e insegurança. Negatividade constante. Sentimentos de derrota e desesperança. Sentimentos de incompetência. Alterações repentinas de humor. Isolamento. Fadiga. Dores musculares. Problemas gastrointestinais.


Gabaritei.


No dia 21, quando ouvi a tal matéria eu já estava melhor, ainda não bem, mas bem melhor. Precisei conversar, escrever, dar pausas, me organizar muito e o principal, entender o que eu estava sentindo e parar de alimentar culpa e cobranças. Foi como cortar o mal pela raiz. Estou entendendo como posso trabalhar de maneira mais leve e sem o fator "peso" que eu mesmo estava colocando em tudo.


Estou deveras me dando tempo e me cobrando menos. É um processo difícil, mas conversar deixa um pouco mais fácil. Ouvir músicas deixa um pouco mais fácil. Sentir meu corpo relaxar com massagens, alongamentos e até o cansaço após correr 2km deixa tudo um pouco mais fácil. Cozinhar minha própria comida e reajustar quantidade e calorias necessárias alinhadas com a percepção de estar me alimentando super bem e saudável deixa esse processo mais fácil. Estar em contanto com a natureza, dar oi para meus vizinhos, brincar um pouco com a Milky ou com o Scoot, tomar sorvete, um bom Aperol com meu namorado, ligar para os meus pais, andar pelo condomínio, passear de carro pela cidade ou até mesmo entrar em lojas só para olhar o movimento e as mercadorias além de me desconectar de telas, deixam os dias mais fáceis.


Fiz 25 anos e minha meta é não me cobrar tanto daqui em diante. Afinal, cada um tem seu tempo e suas batalhas. Estou enfrentando essa minha com a certeza que sairei uma pessoa mais confiante, mais madura e mais consciente.


Para encerrar esse post que é basicamente um desabafo com misto de reflexões, quero listar alguns canais do YouTube que tem me feito bem, leve, entretido e que talvez possa ser a mão que você esteja precisando para te segurar nesse momento!


Canal: Pri Leite Yoga

Série de vídeos "Dependência Emocional" do canal O Corpo Explica


Canal de receitas: Paolla Carosella


Canal DragBox


No mais, cada dia um passo e cada passo um dia novo!



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